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O Garoto, a Bicicleta e as Lições da Vida.

Era uma tarde quente, daquelas que as crianças todas saíam para brincar. Lucas, um garotinho de 12 anos, observava pela janela da sua casa, encantado, os outros meninos e meninas pedalando suas bicicletas pelas ruas do bairro. Ele sonhava em fazer o mesmo, ficava imaginando como seria legal andar sobre aquelas rodas.

Lucas não costumava brincar na rua com as outras crianças do seu bairro. Sempre observava todos brincando pela janela de sua casa. 

Acostumado a sempre brincar sozinho, inventava personagens com seus bonecos de power rangers, inventava amigos imaginários, inventava histórias e narrativas, nunca se sentia literalmente sozinho, em sua cabeça havia um mundo de possibilidades.

Em sua casa havia um quintal bem grande e espaçoso, casas de cidades pequenas, são sempre muito grandes. 

O tio de Lucas sempre que chegava do trabalho, deixava a bicicleta estacionada no quintal. Então todas as vezes que Lucas via a bicicleta, pegava, e sozinho, pois ninguém tinha muita paciência para ensinar o garoto desengonçado a andar de bicicleta, tentava entender como funcionava.

Em seu quintal mesmo, coberto por altos muros, Lucas se dedicava a aprender a andar de bicicleta, foram muitas quedas, muitos ralados, mas era um garotinho persistente.

— Eu vou conseguir andar de bicicleta. Eu vou conseguir.

Dizia para si mesmo, insistentemente. Era o seu grande objetivo, ele sabia que só dependia dele mesmo conseguir.

Se equilibrar na bicicleta, foi seu primeiro desafio, mas após muitas quedas, Lucas foi encontrando o seu equilíbrio. Agora o desafio seguinte seria manter-se equilibrado e ao mesmo tempo pedalar.

— Eu vou conseguir andar de bicicleta. Eu vou conseguir.

Lucas estava focado no seu objetivo e sempre repetia em seus pensamentos. Mesmo sem perceber, ali Lucas estava se auto animando o tempo todo.

Enquanto aprendia a andar de bicicleta, Lucas descobria também importantes lições sobre a vida. Ele percebeu que a persistência e a determinação eram fundamentais para superar obstáculos.

Cada ralado era um lembrete de que as quedas fazem parte do processo de aprendizado. E, acima de tudo, aprendeu que a coragem de enfrentar desafios sozinho poderia abrir caminhos para a independência e o autodesenvolvimento.

Claro que Lucas, com apenas 12 anos, não fazia ideia de todo esse aprendizado. Tudo isso só fez sentido quando esse garotinho lembrava dessa história, aos 30 anos.

Enquanto estava sentado na varanda do seu apartamento, Lucas, com seus 30 anos, estava em uma mesma tarde quente, olhando pela varanda, lendo seu livro, vendo as pessoas e os carros passarem na rua de baixo, para tentar não pensar no caos que a sua vida havia se tornado.

— Cara, o que eu estou fazendo da minha vida? 

— Por que eu tomei tantas decisões erradas? 

— Será que é possível mudar tudo isso?

Por mais que quisesse, Lucas não conseguia fugir dos seus pensamentos. Eles estavam ali o tempo todo fazendo perguntas. De repente Lucas olha para o seu joelho e vê uma cicatriz e lembra dessa fase aos seus 12 anos quando tentava andar de bicicleta, que relatei no começo da crônica.

Ele sorri, uma paz invade o coração dele e acalma um pouco os seus pensamentos.

Ele lembra que após algumas tentativas no quintal da sua casa, ele foi aos poucos conquistando o equilíbrio, foi entendendo como funcionava a bicicleta. Lucas se sentia confiante para pegar a bicicleta e sair pelas ruas do seu bairro, para mostrar para as outras crianças e seus familiares que havia aprendido sozinho a andar de bicicleta.

Desde pequeno Lucas sempre foi muito impulsivo, sempre caía de cabeça em tudo que acreditava. E nem sempre alçava voos, às vezes impulsionava quedas.

Lucas estava decidido a dar uma pequena volta pela rua onde morava, sem que ninguém de sua casa percebesse, pegou a bicicleta velha do seu tio e saiu escondido para dar sua primeira volta de bicicleta.

Conseguiu se equilibrar, pedalar e começou a sentir a liberdade em seu rosto, o vento batia, ele passava pelas pessoas que estavam a pé e se sentia mais rápido, parecia que tinha superpoderes. As crianças ficaram admiradas, pois sempre viam Lucas sozinho às observando pela janela.

Lucas sentia que tinha o mundo inteiro em apenas algumas pedaladas e disse para si mesmo:

— Eu sabia que ia conseguir andar de bicicleta. Eu sabia que ia conseguir.

De repente Lucas sente um impacto, e ouve gritos, pessoas se aproximando, e sente seu joelho doer bastante.

Naquela tarde Lucas havia se chocado com um carro que passava pela sua rua, Lucas estava preparado para ganhar o mundo, mas não havia se preparado para os desafios do mundo.

— Meu filho! Como você saiu de casa?

Lucas lembra de ouvir sua mãe gritando, logo uma multidão de curiosos estavam ao seu redor. Apesar do susto, o carro que chocou com a bicicleta, apenas o derrubou, por sorte o carro não estava em alta velocidade. Mas aquela tentativa de aventura custou uma cicatriz no joelho e castigo dos pais.

Aquela tarde em que Lucas estava querendo desistir, trouxe de volta uma lembrança que passou a impulsionar a sua vida diante das dificuldades. Ele sabia que só dependia dele mesmo para conquistar, superar, enfrentar qualquer dificuldade da vida.

Lucas, apesar dos seus 30 anos, era apenas um garotinho, para a vida, que era sua bicicleta.

Mas aprender a andar de bicicleta é algo difícil, leva tempo, mas você nunca se esquece.

As cicatrizes causadas pela bicicleta da vida adulta, às vezes são mais fortes, impactantes, atropelam e deixam a gente no chão, quase sem conseguir levantar.

Mas sempre vai ter um garotinho dentro da gente dizendo:

— Eu vou conseguir andar de bicicleta. Eu vou conseguir.

Não desista só porque você em algum momento desequilibrou e caiu. É normal cair de vez em quando. 

Ainda tem uma estrada imensa esperando você para pedalar… E pedalar é cansativo mesmo, requer esforço, energia, dedicação, mas você vai chegar em algum lugar. É só não desistir de continuar.

E toda vez que você estiver diante de alguma situação desafiadora na vida adulta, lembre-se do seu eu criança que aprendeu a andar de bicicleta. 

Feche os olhos e lembre das quedas, das cicatrizes, mas também das vitórias, da coragem e da determinação que você teve. A vida sempre será como andar de bicicleta, difícil, mas com o tempo a gente vai aprendendo a domar.

Não deixe que o medo ou as quedas impeçam você de seguir em frente. Encontre dentro de si a força e a resiliência que você tinha quando aprendeu a andar de bicicleta. E assim, mesmo diante das dificuldades, você continuará pedalando rumo aos seus sonhos, com coragem e determinação. 

Afinal, assim como naquela época, você sempre será capaz de alcançar o equilíbrio e conquistar o mundo sobre duas rodas.

@WellasDiniz


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Wellas Diniz
Escritor, produtor audiovisual, criador de conteúdo digital, editor de vídeos para cinema, TV e internet. Amo ler e escrever sobre motivação e acredito que uma boa troca de ideias é capaz de transformar o dia de alguém.

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