Eu cansei de tentar acompanhar tudo.

"Desacelerar não é desistir, é escolher um ritmo que faça sentido pra você."

Antigamente, eu tinha uma certa ansiedade de achar que estava sempre atrasado.
Não no relógio, mas na vida.

A sensação era de que todo mundo estava produzindo mais, vivendo mais, postando mais, conquistando mais. E eu ali, tentando acompanhar um ritmo que nem sabia mais se fazia sentido pra mim.

Era cansativo tentar, o tempo todo, parecer que estava fazendo algo.
E foi aí que eu cansei de vez e coloquei um basta nisso.

O mundo não desacelera, mas a gente pode escolher ir com calma.

A verdade é simples e bruta: o mundo não vai parar pra gente respirar. Sempre vai ter um conteúdo novo, uma tendência nova, um jeito “certo” de fazer as coisas.

A pergunta que começou a incomodar aqui dentro de mim foi simples:
Eu preciso mesmo estar em tudo?

Porque tentar acompanhar tudo me deixou longe de mim. Me deixou ansioso, irritado, sem prazer nas pequenas coisas. Tudo virou obrigação. Até o que antes era prazer.

E vou ser sincero: essa coisa de você ter que virar um “blogueirinho” que mostra toda a sua vida pra divulgar sua profissão é irritante.

Ok, tem gente cujo conteúdo é a própria vida, o dia a dia, a rotina. E tudo bem.
Mas a sensação que eu tava tendo era que todo mundo precisava fazer a mesma coisa pra divulgar seu trabalho. E isso, pra mim, não faz sentido.

Eu, por exemplo, não quero ver o meu dentista em situações constrangedoras da vida pessoal dele. Acho muito mais interessante ver ele dando uma dica de como cuidar melhor da saúde bucal.

Tanto como criador de conteúdo quanto como alguém que consome conteúdo, isso começou a me irritar e me fez deixar aos poucos de querer movimentar meu feed, tanto para ver, quanto para postar.

Você não vai deixar de existir por parar de se expor tanto.

Por muito tempo, diminuir parecia fracasso. Uma vida pacata.
Postar menos. Fazer menos. Opinar menos. Produzir menos.

Mas hoje eu vejo as coisas de um jeito diferente.

Diminuir é editar.
Editar é escolher o que fica.
E escolher o que fica exige um pouco de noção.

Uma coisa inusitada que me fez refletir sobre mudar meu comportamento online foi perceber que algumas pessoas do meu convívio que quase nunca interagiam comigo com curtidas ou comentários, sabiam tudo da minha vida quando me encontravam pessoalmente, com base apenas nas postagens.

Ok, eu escolhia expor, e quem queria acompanhava.
Mas isso me fez pensar: eu estava alimentando coisas minhas… pra quê, exatamente?

Foi aí que comecei a dizer pra mim mesmo que eu não deixaria de existir por parar de postar tanto sobre a minha vida.

Quando tudo vira barulho, o silêncio vira resposta.

Teve dias em que eu simplesmente não quis postar. Não porque faltava ideia, mas porque faltava sentido.

E quando eu comecei a entender e respeitar isso, fui me reencontrando como pessoa, como profissional, e entendendo o que realmente preciso e quero expor.

Percebi que meu ritmo mudou porque minha vida mudou. Minhas prioridades mudaram. Minha forma de enxergar o tempo mudou.

Nem tudo precisa virar conteúdo. Nem tudo precisa ser mostrado. Algumas coisas só precisam ser vividas. E entender isso é libertador.

O feed é um dos maiores criadores de ilusão.

As redes sociais amam velocidade. É postar, postar e postar.
Mas eu aprendi, nessa busca por sentido nas coisas que faço, que pressa raramente combina com profundidade.

Quando eu desacelero, eu me escuto melhor.
Quando eu diminuo o tempo do mundo pro meu ritmo, eu crio melhor.
Quando eu posto menos, eu aproveito mais o momento.

E tenho percebido que muitas pessoas também estão postando menos. Talvez porque tenham entendido isso. É impressionante como postar vicia e como não postar também.

É viciante ser low profile. Viver as coisas só pra você, ou com quem realmente está compartilhando aquele momento.

Hoje, eu tenho um novo jeito de compartilhar as coisas sem me perder de quem eu realmente sou.

Se você percebeu que eu apareço menos, falo menos, posto menos… é porque estou tentando viver mais alinhado com o que eu sinto, e não com o que esperam.

Não é ausência.
É presença em outro lugar…. Principalmente dentro de mim.

Esse meu novo jeito de compartilhar, busca a verdade, profundidade, sentido e equilíbrio. Mantém distância da minha intimidade, sem perder o espaço de falar do meu trabalho como escritor e produtor audiovisual, que é o que realmente importa pra mim hoje em dia.

Editar a vida é um ato de cuidado.

Cuidar de si, às vezes, é parar de tentar dar conta de tudo.
É aceitar que você não precisa acompanhar o mundo inteiro pra estar no caminho certo.

Talvez você também esteja cansado.
Talvez esteja sentindo que o ritmo tá pesado demais.

Se for o caso, fica aqui um lembrete simples: Você não precisa correr pra provar nada.
Às vezes, o maior avanço é parar, olhar pra dentro e escolher ficar.

Ficar no que faz sentido.
Sério. É só isso que basta.

@WellasDiniz


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Wellas Diniz 🧡
Wellas Diniz 🧡

Escritor, produtor audiovisual, videomaker e editor de vídeos para cinema, TV e internet. Amo ler e escrever sobre motivação e acredito que palavras são capazes de transformar o dia de alguém.

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