Eu estava em Curitiba a trabalho e, por sorte, me sobrou um dia livre na agenda. Já faz quatro anos que frequento a cidade para trabalhar como videomaker em um campeonato de escalada, e Curitiba tem uma característica fantástica: sempre me apresenta algo novo quando decido caminhar sem roteiro.
Desta vez, resolvi deixar de lado o centro histórico tradicional e fui conhecer a Gibiteca de Curitiba. Para quem gosta do universo dos quadrinhos, mangás, animes e leitura em geral, o lugar é um prato cheio, cercado por uma arquitetura de época que já começa a desacelerar a mente.
O espaço tem entrada gratuita e fica bem no centro, na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533a (funciona de segunda a sábado, das 09h às 18h). Se você estiver pela cidade com algumas horas livres, vale muito a pena colocar no seu mapa.
Mas a grande virada daquele dia aconteceu quando eu e meus amigos decidimos pegar o carro e ir em direção a Morretes. A ideia inicial era descer pela famosa Estrada da Graciosa, mas nós erramos o caminho. Pegamos uma rota completamente diferente pela rodovia principal, o que deu mais ou menos 1h30 de viagem.
E foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.
Reencontrar o passado em um lugar onde eu nunca estive.
O erro na estrada nos levou a Morretes por outro acesso. Ao chegar, você dá de cara com uma cidade histórica incrível, rodeada de casarões antigos e muito bem preservados. Para quem quer fazer esse bate-volta saindo de Curitiba, a cidade é perfeita para caminhar a pé e observar os detalhes da arquitetura.
Para quem não sabe, eu nasci em São Luís do Maranhão e cresci cercado por essa mesma atmosfera de memória e arquitetura colonial. Cruzar com aquelas paredes antigas em pleno Paraná me deu um estalo imediato: eu estava a quilômetros de distância de casa, mas me senti em casa. É o tipo de destino que te faz desacelerar o ritmo na hora.
Aproveitei para provar a culinária local, que é uma das principais atrações da cidade: fomos almoçar o famoso barreado. Na minha cabeça, por alguma associação sem sentido, eu achava que era um prato de peixe. Acabei descobrindo o ritual típico daquela mistura forte de carne cozida desfiada por horas em uma panela de barro, servida com farinha de mandioca e banana.

E por incrível que pareça, eu amei. Se você for a Morretes, essa é uma parada obrigatória; recomendo muito que você tire uma hora do seu dia para sentar em um restaurante local e provar essa experiência.
Abraçar a surpresa que o mapa não tinha planejado.

Depois do almoço, abrindo o Google de forma despretensiosa para olhar as redondezas e ver o que mais dava para explorar, descobrimos uma cidadezinha vizinha chamada Antonina, que fica bem próxima. Como era no caminho de volta para Curitiba, decidimos passar por lá. E aqui vai uma dica de ouro para a sua viagem: não deixe de esticar o roteiro até ela.
Antonina parece o cenário de uma novela de época. É outro município histórico do Paraná, mas com um diferencial incrível: ela fica de frente para uma baía com uma vista espetacular para o mar. O lugar é um pouco mais vazio e menos badalado que Morretes, e eu simplesmente amei o sossego e a vibe de lá.
Ali, tomando um café da tarde acompanhado por um belo de um sonho em uma padaria local, percebi que dá para fazer um mini roteiro completo e muito rico: tomei café da manhã em Curitiba, almocei em Morretes e lanchei em Antonina, tudo em pouco menos de quatro horas de deslocamento.
Um respiro de liberdade que qualquer um pode replicar com disposição e muita vontade de descobrir novos lugares.









Entender que o mais bonito da jornada é o que a gente não controla.
Viajar é aprender a descobrir. Nosso país é gigante, diferente e transborda cultura em cada esquina, mas a gente só consegue enxergar isso quando se permite olhar para o lado e sair do óbvio. Se você está planejando uma viagem ou tem um dia útil sobrando em Curitiba, monte esse roteiro prático. Vá conhecer a Gibiteca, desça até Morretes para almoçar e termine o dia vendo o fim de tarde na baía de Antonina. Você vai voltar com a mente renovada.
Aquele desvio forçado na estrada me inspirou a escrever. O mais legal de colocar os sentimentos no papel é justamente isso: conseguir capturar o imprevisível e descrever a sensação sem filtros, sem as amarras de um roteiro perfeito. A vida real acontece quando o GPS recalcula a rota.
Vale a pena se permitir viver o inesperado e colocar o pé na estrada para conhecer esses lugares. Às vezes, tudo o que a gente precisa para espairecer a mente, oxigenar os planos e ganhar uma nova perspectiva de vida é apenas errar o caminho certo. 🧡





