A gente cresce ouvindo que perdoar é um ato que gente boa do coração faz. Mas a real é que, na prática, guardar rancor é uma das coisas mais estúpidas e exaustivas que a gente faz com a própria cabeça.
A gente fica alimentando raiva de quem já seguiu a vida, repassando conversas antigas no banho e remoendo o que deveria ter dito. No fim das contas, a outra pessoa tá dormindo plenamente e quem tá com o estômago corroído de azia é você. Perdoar não é fazer favor para os outros ou fingir que o erro não existiu; é só decidir parar de carregar um peso desnecessário nas costas de algo que já foi… a vida seguiu.
E a coisa fica ainda mais tensa quando a raiva é da gente mesmo.
A gente se pune por escolhas de cinco anos atrás usando a cabeça e a maturidade que só tem hoje. Esquece que, naquela época, com as ferramentas e a imaturidade que tinha, fez o que deu. Ficar se batendo pelo passado não conserta o que passou, só trava o que vem pela frente.
O perdão não chega num estalar de dedos e nem apaga a cicatriz. Mas a vida fica infinitamente mais leve quando a gente entende que o passado já cumpriu o papel dele e que a gente não precisa continuar alimentando dentro da gente aquilo que já acabou.
Superar é preciso.
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