Eu me peguei fazendo exatamente aquilo que jurava que nunca faria: olhar para uma novidade e soltar um “no meu tempo não era assim…”.
Eu cresci ouvindo os mais velhos falarem essa frase e prometia para mim mesmo que seria diferente. Achava que era só se atualizar, acompanhar as mudanças e pronto. Só que viver isso na pele é bem mais complexo. A nossa tendência natural é se acomodar no que a gente já domina, porque qualquer mudança dá trabalho e assusta um pouco.
Nas minhas profissões, a transformação é diária. Como produtor audiovisual, preciso me adaptar o tempo todo a novas linguagens e softwares. Outro dia me vi assistindo a um tutorial feito por um garoto bem mais novo sobre um programa que eu queria aprender, e a explicação dele foi melhor do que muito curso pago por aí. Aquilo me deu uma aula de humildade sobre escuta e abertura. Não importa quanta bagagem a gente tenha, sempre tem alguém que pode nos ensinar algo sob um novo olhar.
Como escritor, o desafio é parecido. Em um mundo cheio de textos automáticos e artificiais, a minha busca tem sido justamente fazer o caminho oposto: ser cada vez mais humano, pessoal e próximo de quem tá lendo.
No final, se adaptar não é sobre esquecer o que a gente já viveu ou jogar a nossa experiência fora. É sobre ter a maturidade de continuar aprendendo sem deixar o orgulho fechar as nossas portas.
Eu não quero virar a pessoa que só sabe reclamar do presente e ficar preso naquela de “no meu tempo era melhor”. Prefiro continuar curioso, aprendendo coisas novas e encarando o recomeço com coragem.
E vamos combinar: é chato e espalha roda pra caramba alguém que só sabe reclamar, ao invés de se inteirar sobre um assunto novo, né mesmo? Sejamos tiozões… mas tiozões inteirados de todas as mudanças. Não tem como fugir: ou aprende ou sobra.
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