
“Será que a gente precisa mesmo caber em todos os lugares?”
Enquanto eu caminhava para mais um dia de trabalho, essa pergunta martelava na minha cabeça.
E a mente da gente é uma loucura, né? Quanto mais a gente tenta ignorar uma dúvida, mais outras aparecem, como quem cutuca a ferida só pra ver até onde dói.
Será que eu tô me diminuindo só pra encaixar? Será que devia ser mais flexível? Ou falar menos… ou parecer menos?
Sei lá… às vezes parece que, pra ser aceito, a gente vai abrindo mão de tanta coisa que, quando percebe, já não sabe mais direito quem é.
Antes de sair do metrô, resolvi parar. Ali, num canto das escadas onde as pessoas entram e saem o tempo todo.
Com aquele turbilhão de pensamentos rodando na cabeça logo cedo, só fiquei parado, observando. Gente indo e vindo. Cada uma com seu ritmo, seu estilo, seu jeito de existir.
Alguns com fones, outros com livros nas mãos. Uns correndo, outros só vagando.
E o que parecia só uma pausa sem sentido… virou resposta.

“Será que a gente precisa mesmo caber em todos os lugares?” A resposta veio simples, quase automática: Não. Não precisa.
Porque se eu tenho que me encolher, me calar ou me forçar pra caber, então aquele lugar nunca foi meu.
Num mundo onde tudo é cópia do que já existe, ser autêntico é quase um superpoder.
E quem tem isso… não nasceu pra se encaixar. Nasceu pra moldar.
Então, se um dia te perguntarem por que você não se encaixa, responda sem medo: Porque eu não vim pra isso.
Não é teimosia. É coragem de ser quem se é, mesmo quando parece estranho, fora do padrão, fora do script.
Ser inteiro tem um preço, mas se encaixar onde não cabe custa muito mais caro. Talvez o mundo insista pra gente caber em todo lugar, mas tenha sempre em mente que seu lugar não é qualquer canto.
Seu lugar é onde você pode ficar grande, leve, verdadeiro. Então, se não couber, saia.
Se sentir que tá se apertando demais, expanda.

E se questionarem de novo, sorria e lembre: quem nasceu pra moldar, nunca nasceu pra caber.